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Terça-feira, 07 de Setembro de 2010
 
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29/09/2009 - Ronaldo Costa - Saúde é direito, é dever?

 

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, quando em campanha eleitoral prometeu reforma no programa de saúde ampliando o número de beneficiados na rede pública. O que ele não sabia, no momento de colocar o assunto em pauta, que enfrentaria resistência muito forte da população de seu país que teme em perder e ter que pagar caro por um sistema ampliado de saúde pública. De um lado a população idosa que possui atenção de boa qualidade, totalmente gratuita, oferecida pelo governo; de outro lado, a classe média que possui plano de saúde, mesmo reclamando do atendimento e preços cobrados, se sente protegida. Ambos os grupos querem manter a situação assim como está pelo pavor de queda na qualidade dos serviços e aumento dos custos com a tributação.

 

No Brasil quando se fala em saúde para população de baixa renda há, também, resistências de segmentos da sociedade com forte apelo político sob o comando de interesse claro na viabilidade de implantação de novo modelo assistencial.

 

Dicotomizar a saúde em pública ou privada; coletiva ou individual; de alta ou baixa tecnologia; da capital ou do interior é a maneira de desviar a atenção do cidadão para valorizar um simples resfriado com a realização de exames sofisticados e medicação de última geração transformando um furo em um rombo financeiro para quem paga a conta: o Estado, a iniciativa privada ou a própria família do paciente.

 

Beneficiam-se com tal exagero praticado a indústria farmacêutica, a indústria que produz insumos e instrumentos para os laboratórios e a própria rede de laboratórios que executam os exames. Assim milhões de reais escoam pelos ralos do desperdício diariamente em todo território sob a falácia de bom atendimento à população.

 

O Brasil, diferente da America do Norte, possui um Sistema de Saúde importante na sua idealização e perfeitamente viável de ser colocado na prática diária desde que houvesse vontade política e menos intimidação pelas pressões das estruturas mandatárias do país.

 

O SUS (Sistema Único de Saúde) apesar de sua aprovação universal está longe de ser único, pois, estão fora dele as forças armadas, os ministérios, funcionários públicos estaduais, câmara dos deputados, senado, juízes, etc. deixando a impressão que SUS é para pobre com atendimento de segunda ou terceira classe.

 

Mais de 40 milhões de brasileiros esforçam-se para manter em dias seus pagamentos do plano de saúde pela desconfiança no poder público em faltar no instante de maior necessidade, porém, muitos deles comparecem aos postos de saúde para apanhar medicação, tomar vacinas, fazer determinados exames e outros procedimentos clínicos ou cirúrgicos.

 

A Constituição garante a saúde como direito de todos, então, a chamada saúde suplementar representa bitributação disfarçada. O imposto do cheque que ronda o Congresso é peso na tributação das empresas e pessoas arrochadas pela máquina estatal.

 

O Brasil é detentor de pessoas com alto padrão de conhecimento teórico e prático capazes de promover discussão com as comunidades de diferentes pontos do país, calibrar o SUS e enfrentar as pressões advindas dos desperdícios e das fraudes que juntos batem 40% dos gastos públicos e privados.

 

A reforma no Sistema de Saúde deve estar presente nas propostas dos candidatos com profundidade e clareza, sem demagogia barata em nome do povo desassistido.

 

Vamos cobrar tal compromisso para evitar o imbróglio que hoje se encontra Obama.

 

 

Ronaldo Monteiro Costa

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